segunda-feira, 8 de março de 2010

POR QUE MEU ALUNO NÃO LÊ?

“Os meus alunos não gostam de ler” é, sem dúvida, a queixa mais comumente ouvida entre professores. É um dos primeiros comentários a serem feitos quando, ao terminar uma palestra sobre leitura, abre-se a sessão para perguntas ou esclarecimentos.Por que essa realidade? Essa é a questão a ser explorada neste capítulo, focalizando os aspectos relativos ao funcionamento de sala de aula que podem contribuir para o problema. Aspectos macroestruturais que também influem no fracasso da escola quanto à formação de leitores não serão aqui discutidos. Referimo-nos, por exemplo, ao lugar cada vez menor que a leitura tem no cotidiano do brasileiro, à pobreza no seu ambiente de letramento (o material escrito com o qual ele entra em contato, tanto dentro como fora da escola), ou ainda, à própria formação precária de um grande número de profissionais da escrita que não são leitores, tendo, no entanto, que ensinar a ler e a gostar de ler.Para formar leitores, devemos ter paixão pela leitura. Concordamos com o autor francês Bellenger (um leitor apaixonado de um país de leitores apaixonados), que a leitura se baseia no desejo e no prazer:Em que se baseia a leitura? No desejo. Esta resposta é uma opção. É tanto o resultado de uma observação como de uma intuição vivida. Ler é identificar-se com o apaixonado ou com o místico. É ser um pouco clandestino, é abolir o mundo exterior, deportar-se para uma ficção, abrir o parêntese do imaginário. Ler é muitas vezes trancar-se (no sentido próprio e figurado). É manter uma ligação através do tato, do olhar, até mesmo do ouvido (as palavras ressoam). As pessoas lêem com seus corpos. Ler é também sair transformado de uma experiência de vida, um apelo, uma ocasião de amar sem a certeza de que se vai amar. Pouco a pouco o desejo desaparece sob o prazer.









POR QUE MEU ALUNO NÃO LÊ?
Essa é uma pergunta muito difícil de responder, pois assim como os pais, a escola também tem papel fundamental no estimulo à leitura. Muitas vezes é através dela que acontece o primeiro contato com o livro, sendo indispensável tornar este momento o mais agradável possível para despertar a curiosidade de conhecer este mundo mágico.
Na escola o primeiro passo para a formação do hábito de ler diz respeito à seleção do material e a forma que será trabalhado. O educador, ao escolher um livro, deve levar em consideração a realidade de seus alunos, idade, e o interesse pelo tema, além de dispor de recursos, tais como: teatro de fantoches, massinhas de modelar, sucatas e brinquedos para que os alunos criem em cima do enredo. A escola que dá especial atenção a este tema, além de fornecer espaços específicos para a leitura (biblioteca, sala de leitura etc.), proporciona a seus alunos o acesso a bons livros, jornais, revistas e vídeos, para que eles possam usufruir desse acervo. Pois, quando o hábito da leitura é incentivado ao longo da vida de uma pessoa com certeza ela se tornará um cidadão mais crítico e consciente de seus direitos e deveres, tornando-se formador deste hábito. Como educadores, temos que ler com eles, para eles e em função deles. É primordial que descubramos, em primeiro lugar, o leitor que somos. Como podemos passar para o educando o gosto pela leitura se não analisamos que tipo de leitor nós somos? É necessário estarmos sintonizados na leitura do mundo e no mundo da leitura de maneira seria e eficaz e de acordo com as emoções sentidas ao vermos um aluno se interessar por um livro que acaba de pegar e folhear.
Achei muito importante a história de Tatiana Belinky em uma entrevista para a revista na Ponta do Lápis, onde ela conta que desde de criança já tinha um contato com muitos livros, segundo ela aos 4 anos de idade ela já sabia ler. Mas em Russo, o Português foi a quarta língua que ela aprendeu.
Ainda em sua entrevista ela coloca uma fala do francês, Daniel Pennac, professor de literatura que diz o seguinte: “o verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo amar... o verbo sonhar...” (Pennac, Como um romance), 1996, p. 11). Há coisas que não se manda fazer, elas acontecem. Leitura não é tarefa, castigo. A leitura tem que ser prazer. Nos dez direitos do leitor, Pennac afirma que ele tem o direito de não ler se não quiser; de ler de trás para diante; de começar do meio, e por aí vai. O leitor é livre. Você lê para você mesmo, para seu divertimento, para sua emoção, não tem obrigação de coisa nenhuma. Você começa a ler e vai logo perceber que é bom. Uma história bem contada pode fazer alguém chorar, rir, prender o leitor.

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