APRECIAÇÃO CRÍTICA DE UM TEXTO TEÓRICO
A VIDA E A LINGUAGEM
Vida toda linguagem, Mário Faustino, um dos grandes poetas brasileiros deste século, escreveu sobre a importância da linguagem, e que a vida e a linguagem são inseparáveis. Diz ele vivemos entre palavras, fazemos a vida com as palavras. Não há registro de nenhuma sociedade humana que se organize sem linguagem. As palavras atravessam praticamente todas as dimensões de nossa existência desde os mais secretos sinais dos nossos sonhos até as situações mais objetivas do trabalho cotidiano. Inumeráveis redes de comunicação verbal tecem a nossa história, cada dia. Pensamos para falar. Falamos para pensar. Por isso, as palavras: para comunicar o vivido e o por viver, para resgatar a memória, como também para enunciar os desejos, as esperanças, as várias formas de se fecundar o presente e gestar o futuro. O que vivemos. O que amamos. O que sofremos. O que sonhamos. Existe também o não-dito. Não é possível dizer tudo, ainda que se desejasse. Muitas vezes, é difícil dizer algo. Em alguns momentos, lutamos com as palavras – para esclarecer e organizar as nossas próprias idéias, assim como para a travessia da comunicação com os outros. Para que a nossa existência faça sentido. Para que o outro nos reconheça. E também para reconhecer o outro. A nossa voz. As outras vozes. E, apesar de todos os esmagamentos e de todas as desfigurações, vamos praticando as nossas palavras. Somos – todos – capazes de linguagem. Pensamos e falamos as relações da vida cotidiana. De algum modo, fazemos ouvir a nossa voz, ainda, que timidamente. Ainda que precariamente. Mas, ao escrever, muitas vezes, inumeráveis vezes, não conseguimos expressar as nossas idéias, as nossas emoções, as nossas palavras.
segunda-feira, 8 de março de 2010
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